segunda-feira, 29 de junho de 2015

Que mané #ElesPorElas, precisamos de #ElasPorElas


Esses dias GNT e ONU lançaram a campanha #ElesPorElas, a versão brasileira da já lançada campanha internacional #HeForShe. Basicamente, o objetivo é conseguir a ajuda dos homens pra que alcancemos a igualdade de gênero........Bom, pra mim isso é problemático em níveis que eu não consigo nem explicar. 

Sério mesmo que temos que explicar para os homens que é errado nos estuprar, nos matar, nos assediar, nos pagar menos? É realmente necessário explicar que somos seres humanos e merecemos respeito? É difícil entender que não nascemos para ser submissas por que somos mulheres? Olha, foi mal, mas eu me recuso a fazer isso. Achei que era óbvio que estuprar é errado. E, por favor, sem essa de "ah mas o machismo afeta os homens porque aí eles não podem demonstrar sentimentos" HAHAHAHA olha, alguém que fala isso eu tenho muita vontade de: rir. O machismo afeta tanto os homens que os coitados são cheios de privilégios. E o privilégio masculino é utilizado (por eles, pra ficar bem claro) para nos oprimir. É só olhar os números alarmantes de violência doméstica no Brasil - sem contar estatísticas mundiais -;  os casos de países em que a prática da mutilação genital ainda é realizada, com o simples intuito de controlar a nossa sexualidade; e vejam só, os soldados da própria ONU acusados (alguém tem dúvidas de que aconteceu?) de estuprar mulheres que estavam em busca de ajuda. Isso sem falar dos assassinos em série...sempre são homens matando mulheres...quantas histórias vocês ouviram de alguma mulher que mata apenas homens? Tem o serial killer de Goiânia, que matou 39 mulheres, o do Rio de Janeiro. Lembram do caso Realengo? Aquele em que um jovem entrou atirando em uma escola do Rio de Janeiro e realizou um verdadeiro massacre? Então, o que pouca gente sabe é que ele atirava pra matar apenas as: meninas. Foi um crime de ódio contra mulheres, apesar de pouca gente falar isso. Casos como esse encontramos aos montes, no Brasil e no mundo.

São eles que queremos falando por nós? Já me adianto: não adianta dizer que "ah mas não são todos". Quando você, mulher, está andando na rua à noite, sozinha, no escuro, e vê um homem..um homem qualquer, que você nunca viu na vida e não sabe nada sobre, você sente o quê? Todas as minhas minhas amigas, colegas, conhecidas e etc são unânimes: sentem medo. Sentimos M-E-D-O. Só não ficamos com medo se for um conhecido no qual confiamos, ou seja, sentir medo é a regra, não a exceção, então não vou me desculpar por generalizar.

Temos capacidade suficiente pra falar por nós mesmas. Podemos falar umas pelas outras, ajudar umas as outras. Imaginem só o que seria de nós se as pioneiras tivessem esperado pelos homens para nos conceder alguma coisa!!Tudo o que o movimento feminista conquistou foi com muita luta e batalha, nada foi de graça, não aconteceu porque de uma hora pra outra os homens decidiram ser legais e "ah vamos dar pra vocês o direito de votar", 'hmm acho que vocês podem fazer nível superior", "nossa, que tal deixarmos vocês serem votadas?". Não foi assim e tenho quase certeza que nunca será. Um exemplo super recente disso, aqui no Brasil, foi a rejeição da Câmara a proposta de cotas para mulheres. Somos metade da população e pedimos apenas 15% do número de vagas no Congresso, mas foi rejeitado. É sério que queremos ELES falando por NÓS? 

Feminismo é um movimento de mulheres, por mulheres e para mulheres.Não precisamos de homens ditando o que devemos fazer - ou alguém tem dúvidas de que isso vai acontecer mais ainda? 

Sou muito mais o #ElasPorElas, o #SheForShe.





Nota: a imagem foi retirada da FanPage da Nádia Lapa

domingo, 21 de junho de 2015

Gente que justifica preconceito com a bíblia

Um conhecido compartilhou na rede social do mal um vídeo do que os adventistas pensam da homossexualidade. O pastor que falava no vídeo dizia que respeitava a todos, inclusive os que têm essa opção sexual (já tá errado, né, não existe opção sexual, existe orientação sexual). Ótimo que respeitem, afinal todo ser humano é digno de respeito simplesmente por existir, mas falava que a prática da homossexualidade é contrária a bíblia, pq você pode olhar a bíblia inteira e a única forma de família com a qual Deus fica satisfeito é a formada por um homem e uma mulher. Mas falava também que eles (os adventistas) merecem respeito e que devem poder continuar propagando que a forma de família que respeita os ensinamentos da bíblia é a de homem e mulher sem serem criminalizados. 
Questionamento: quem criminaliza evangélicos (e outros cristãos) que são contra a união homoafetiva? Ninguém. Nunca vi nenhum destes religiosos apanhar na rua simplesmente pq são religiosos, mas quantos gays e lésbicas apanham e morrem simplesmente pela sua orientação sexual? 
Se eles acreditam e querem seguir a bíblia, beleza, simplesmente que eles não se casem com pessoas do mesmo sexo (ninguém quer obrigar todo mundo a "virar" gay não).O problema é quando querem que o Estado proíba isso baseando-se na bíblia. Nosso Estado é regido por uma Constituição e não pela bíblia, e a Constituição Federal garante que todas as pessoas devem ter sua dignidade respeitada, e dignidade inclui formar família e ter essa família protegida pelo arcabouço legislativo vigente, independente do sexo das pessoas que a formam. 
Aliás, por falar em bíblia, aos seguidores fiéis da bíblia, eu pergunto: vocês realmente seguem a bíblia? Seguem à risca? A mesma Bíblia que proíbe a relação homossexual (Levíticos 18:22) também proíbe que se tenha contato com uma mulher que esteja no seu período menstrual, quem o fizer será impuro (Levítico, 15: 19-24); e também proíbe de comer frutos do mar (Levíticos, 11: 10-12) Vocês conseguem resistir a um camarão? E aquela camisa de algodão com poliéster? Observem bem as etiquetas antes de comprar roupas, a bíblia também proíbe usar roupa feita de materiais diferentes (Levítico 19:19).E os homens..nenhum aí faz a barba? Olha, se você faz a barba, sinto lhe informar, mas tá na Bíblia dizendo que não pode (Levítico, 19:27). E comer carne de porco? Também não rola (Levítico, 11:7). Adeus, feijoada. 
Sem querer ser ofensiva com as pessoas que creem na bíblia, principalmente com aquelas que não acham que todo o mundo deve seguir o que ela acredita, mas eu pergunto: você que usa a bíblia pra justificar seu preconceito segue tudo exatamente como tem escrito lá? Você não come porco, não faz barba, não usa roupas feitas de materiais diferentes, não fica no mesmo recinto que uma mulher menstruada? Acho um pouco complicado, até pq o pastor do vídeo que eu assisti estava com a barba feita! Ele descumpriu uma regra bíblica. Vou fazer um vídeo dizendo que respeito todos os homens que optam por fazer a barba, mas que a bíblia diz que não devem fazer, então eu me acho no direito de continuar afirmando e pregando que não se deve fazer a barba. Por que a regra da barba pode não ser seguida? Qual a diferença? Se alguém puder me explicar o porquê algumas regras podem ser quebradas e outras não, eu agradeceria profundamente.

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Interessante é que esses que se dizem cristãos não seguem o principal ensinamento de Jesus Cristo: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. O próximo a que Jesus se referiu não era apenas quem estava literalmente próximo, mas sim todas as pessoas. Jesus disse que devemos amar até mesmo nossos inimigos! Imagina só se um cara que chegou com uma ideia revolucionária - e que foi morto por isso - um homem que desafiou todos as estruturas da época, confrontando os poderosos, ajudando os pobres, dando ouvido às mulheres que na época eram apenas propriedade dos homens (e hoje as descobertas arqueológicas mostram que as mulheres que seguiam Jesus tinham sim papel ativo na divulgação da palavra) ia se preocupar com a maneira que alguém vive sua vida se não está prejudicando nenhuma outra pessoa? Quando Jesus foi levado até a mulher adúltera, que pela lei da época deveria ser apedrejada, ele disse "aquele que tiver sem pecado que atire a primeira pedra". Todos se retiraram. O que eles quis dizer com isso? "Ah vocês acham que ela é pecadora? Beleza, apedreja, mas só pode apedrejar aquele que tá isento de pecado".
Como cristã a única coisa que vi (pelos registros que temos) Jesus condenar foi a hipocrisia. Ah, mas isso ele condenava e combatia de maneira ferrenha. Aos que se dizem cristãos, mas são hipócritas, apenas que se espelhem mais em Cristo, de verdade, e amem a todos e, se forem falar, sigam aquilo que falam. E por falar em bíblia, nela encontramos a epístola de Paulo aos Corintios na qual ele diz "fora da caridade/amor não há salvação" e não "fora da bíblia não há salvação".

terça-feira, 16 de junho de 2015

PUBLICIDADE MACHISTA


Cervejarias fazem comerciais como se apenas homens bebessem cerveja. Homens bem machistas, btw, já que ainda não vi uma propaganda de cerveja que não objetificasse mulheres (e muitas enaltecem a cultura de estupro). As mulheres estão sempre de biquíni, ou com uma roupa muito curta, ou servindo os homens. As que não estão em nenhuma das posições anteriores - ou relacionadas - são mostradas como chatas e que ~atrapalham a diversão masculina. Hoje tem no ar a que eu acho mais nojenta (da atualidade, uma vez que já tiveram piores) que é a do "vai, Verão. Vem, Verão" .




O que os publicitários, ou as próprias cervejarias, sei lá, esquecem é que mulheres também consomem cerveja. SIMMMM! MULHERES BEBEM CERVEJA!. "Ah mas homem bebe mais". Olha, mesmo que essa afirmação seja verdadeira (coisa que eu duvido. Só conheço duas mulheres que não bebem cerveja: eu e minha mãe), não muda o fato de que mesmo que mulheres estejam em menor quantidade/consumam menos  (ainda tô duvidando, hein), os publicitários ainda não despertaram pra fazer comerciais voltados pra mulheres ou, por que não, comercial pra quem gosta de beber cerveja, independente de ser homem ou mulher...

E o que dizer das marcas de produto de limpeza??? APENAS MULHERES. "e aquela da bombril que é um cara que faz?". O homem está lá falando, mas vocês nunca repararam que ele se dirige apenas às...mulheres? 

Esses dias li algo - no twitter, creio - que dizia que as famosas que fazem comerciais de produtos de limpeza são as que já atingiram "certa idade". Só aí fui reparar que realmente é assim que acontece. As mais jovens fazem de produtos de beleza, e, claro, cerveja. As mais velhas, já não consideradas mais tão atraentes, só servem pra fazer papel de dona de casa mesmo. Um aviso pras marcas de produto de limpeza: não são só mulheres que fazem limpeza, seus machistas, e nem somos nós que temos essa obrigação pelo simples fato de sermos mulheres.


Nem vou me aprofundar muito, basta prestar atenção no nível dos nossos comerciais pra notar isso, não precisa ser nenhum expert em publicidade ou marketing, basta um pouco de atenção. Sim, atenção, já que muitas das vezes estamos tão imersos nessa cultura machista que nem nos damos conta.

Esse mês tivemos uma polêmica com uma farmacêutica - cujo nome não lembro - sobre o comercial de um remédio pra cólicas menstruais que chamava cólica de "mimimi", ou seja, de frescura. Só quem sente cólica sabe o que é isso. Pior, uma doença muito séria, a endomentriose, costuma demorar muito tempo pra ser diagnosticada exatamente por causa dessa visão distorcida de que cólica é frescura. Eles tentaram se justificar, mas não colou.

Alguma coisa tem que mudar. Mulheres publicitárias deveriam não só poder opinar como ter poder de decisão. Não adianta uma campanha legal e feminista ser montada se no final a palavra nunca é da mulher.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

AS CRÍTICAS À LEI DO FEMINICÍDIO E A IMPORTÂNCIA DA INICIATIVA








Com timing péssimo, finalmente escrevo sobre a  lei que incluiu um inciso no artigo 121, §2º do Código Penal Brasileiro, que prevê o feminicídio como uma das hipóteses de homicídio qualificado. 

      Homicídio simples

Art. 121. Matar alguém:
[...]

Homicídio qualificado
§ 2° Se o homicídio é cometido:
I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe;
II - por motivo fútil;
III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum;
IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido;
V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime:

Feminicídio       (Incluído pela Lei 13.104/2015)

VI - contra a mulher por razões da condição de sexo feminino:      

Pena - reclusão, de doze a trinta anos.
§ 2o- A Considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o crime envolve:    
I - violência doméstica e familiar; 
II - menosprezo ou discriminação à condição de mulher
[...]
§ 7o A pena do feminicídio é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for praticado:    
I - durante a gestação ou nos 3 (três) meses posteriores ao parto;      
II - contra pessoa menor de 14 (catorze) anos, maior de 60 (sessenta) anos ou com deficiência;
III - na presença de descendente ou de ascendente da vítima.   

Comemorei muito a aprovação dessa lei. Ela é importantíssima, principalmente em um país como o nosso, onde os número de violência contra a mulher são absurdos. No Mapa da Violência de 2012 é possível encontrar dados mais precisos de homicídios de mulheres  - feminicídios - no Brasil, desde 1980, como número de mulheres mortas por unidade da federação, idade, circunstância da morte. Um dado chocante: 40% das mulheres mortas entre 2000 e 2010 foram assassinadas dentro de casa, a maioria por parceiros ou ex-parceiros. O lugar em que deveríamos - me incluo aqui pois também sou mulher - estar mais seguras é um dos mais perigosos.
Claro que uma lei como essa não vai acabar com a violência de gênero no país, é necessária a implementação de políticas públicas de conscientização nas escolas, por exemplo; melhorar a infraestrutura dos locais de atendimento à mulher, como a delegacia da mulher e serviços de saúde; dar maior efetividade as medidas protetivas da Lei Maria da Penha e etc.
Já vi a lei ser muito criticada por não trazer nenhuma mudança prática, logo seria apenas uma medida eleitoreira, populista da presidenta. Sim, a lei não aumentou a pena, o homicídio qualificado sempre teve pena de reclusão de 12 a 30 anos e o feminicídio veio apenas como mais uma forma de homicídio qualificado, logo, ainda tem pena de reclusão de 12 a 30 anos (a mudança veio em algumas causas de aumento de pena nos casos de ser praticado durante a gestação, contra menor de 14 e maior de 60 anos e na presença de ascendente ou descendente). 
Já vi gente criticar a lei dizendo que mais punitivismo não resolve nada, que devemos parar de achar que o Direito Penal vai acabar com os problemas do Brasil, de que criar crimes e colocar (mais) gente nas nossas horrendas prisões vai resolver o problema, de que o direito penal é seletivo e só pobre e negro vai pra cadeia. Eu acredito realmente que o punitivismo e a criação de cada vez mais figuras típicas não é a solução, de que colocar mais pessoas atrás das grades não vai funcionar porque nosso sistema carcerário é uma bosta e ninguém sai de lá melhor do que entrou (muito pelo contrário) e tenho absoluta certeza de que o direito penal, infelizmente, é seletivo e atinge especialmente os negros e pobres.
Mas então porque, como mulher, achar que essa lei é boa? Por que comemorar? Bom, primeiro porque a lei veio dar nome ao crime FEMINICÍDIO (por favor, nem todo assassinato de mulher é feminicídio, apenas aqueles motivados pelo simples fato de mulher seres mortas por serem...mulheres). Dar nome aos bois, basicamente. Isso traz visibilidade, coloca esse problema gravíssimo em evidência. Agora a mídia não precisa chamar de crime passional aquele em que o carinha mata a namorada porque não aceitou o término porque ele tem um nome: FEMINICÍDIO. 
    Não posso concordar que a lei "só serve pra colocar mais gente pobre na cadeia porque o direito penal é seletivo", porque a pena continua a mesma, não aumentou a quantidade não, galera. A aprovação dessa lei prova que finalmente o Estado reconhece a violência de gênero e demonstra que começará a combatê-la - espero sinceramente que não fique só na nessa lei e que haja a implementação de políticas públicas de promoção de igualdade de gênero, educação e conscientização nas escolas e na sociedade como um todo, melhor funcionamento das delegacias das mulheres, como mencionei acima e etc, até porque, como disse Nádia Lapa "uma lei, por melhor que seja, não é capaz de mudar a mentalidade e a cultura de um povo". A lei isolada não vai mudar absolutamente nada, mas e a lei atrelada a outras medidas? Eu não tenho como dar a resposta de qual a solução do problema pra violência contra mulheres, mas sei que boa parte poderia ser, no mínimo, amenizada com educação e conscientização. 
    Uma lei sozinha não tem poder pra mudar o pensamento de toda uma sociedade - o machismo é estrutural, não individual - mas acredito que a iniciativa é válida sim.


   Pra entender mais sobre o feminicídio, tem textos da Lola (aqui), da Nádia Lapa (aqui) e da Barbara Nascimento (aqui).


quinta-feira, 9 de abril de 2015

ABAIXO O PROJETO DE LEI 4330/2004 - CONTRA A TERCEIRIZAÇÃO E A REDUÇÃO DE DIREITOS TRABALHISTAS



Ando preocupada com os rumos que nosso Congresso Nacional está tomando e, consequentemente, levando nosso país. Depois de considerar constitucional a PEC que tem por objetivo reduzir a maioridade penal - o primeiro passo pra levar o projeto ao plenário - ontem a Câmara dos Deputados aprovou o texto-base do PL 4330/2004 que trata de terceirização. Mais uma abominação.
Como funciona hoje: uma empresa prestadora de serviços é contratada por outra empresa para realizar serviços que não tenham relação com a atividade-fim da contratante. Exemplo: um banco tem seus bancários e demais funcionários contratados diretamente, mas os empregados que cuidam da vigilância, por exemplo, como não realizam atividade principal do banco e sim apenas algo necessário para que o banco alcance seu objetivo final, podem ser terceirizados. 

Como vai ficar: toda e qualquer atividade poderá ser terceirizada, seja ela meio ou fim. 
Qual o grande problema? Trabalhadores terceirizados ganham menos, trabalham mais horas, têm uma série de direitos trabalhistas desrespeitados e sofrem mais acidente de trabalho. Permitir que todas as atividades possam ser terceirizadas é precarizar o trabalho e só atende aos interesses de uma classe específica: a dos grandes empresários. Estudo recente do Dieese e da CUT mostra que o terceirizado fica 2,6 anos a menos no emprego, tem uma jornada de três horas semanais a mais e ganha 27% menos do assalariado contratado diretamente pela empresa. Segundo Piero Locatelli, ao ficar sob a responsabilidade de empresas menores, os funcionários são mais expostos a violações como exploração de trabalho análogo ao escravo, calotes de salários, riscos à sua saúde e jornadas excessivas.
O juízes do trabalho, que têm contato constante com violações de direitos trabalhistas, especialmente por parte de empresas que terceirizam serviços já manifestaram-se contrariamente ao PL, através da ANAMATRA (Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho), divulgando a seguinte nota:
"A Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho – ANAMATRA –, tendo em vista o debate do PL 4330/2004, que trata da terceirização em todas as atividades empresariais, vem a público reafirmar sua posição contrária ao referido projeto de lei, tendo em vista que terceirização indiscriminada ofende a Constituição Federal, na medida em que discrimina trabalhadores contratados diretamente e os prestadores de serviços contratados por intermediários, regredindo garantias conquistadas historicamente.
Os juízes trabalhistas, que lidam com a realidade do trabalho no Brasil, sabem que a prestação de serviços terceirizados no Brasil é fonte de rebaixamento salarial e de maior incidência de acidentes de trabalho.
A proposta em tramitação, além de comprometer seriamente os fundos públicos como o FGTS e a Previdência Social, não protege os trabalhadores, trazendo apenas preocupações e perplexidades diante do quadro atual, já delicado por razões conjunturais.
Espera a ANAMATRA que o Congresso Nacional examina e matéria com a necessária prudência.
Brasília, 7 de abril de 2015".
Caso seja aprovado pelas duas casas, o projeto de lei vai para sanção presidencial. Felizmente, a presidenta manifestou-se contrariamente a ele, e estou no aguardo de que ela o vete - só espero que não ceda em nome da ~governabilidade. Direito dos trabalhadores que foram conquistados a duras penas não é algo que se negocie, até porque todos sabemos que os nossos representantes na verdade representam os interesses apenas deles mesmos, pessoalmente, e o de seus financiadores (os empresários que investiram milhões e agora querem retorno).
Segundo o site da Câmara dos Deputados o PT, PCdoB e PSOL orientaram seus deputados a votarem contra o projeto. PRB, PTN, PMN, PRP, PSDC, PRTB, PTC, PSL, PTdoB e PROS deixaram os parlamentares livres e PMDB, PP, PTB, PSC, PHS, PEN, PSDB, PSD, PR, PSB, DEM, PDT, SOLIDARIEDADE orientaram os congressistas a votarem sim. Quem votou SIM é contra o trabalhador.

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O Congresso Nacional da atual legislatura é o mais conservador dos últimos tempos e vem deixando isso muito claro com as últimas medidas que vem tomando.
Agora aqui eu vou dar a minha MINHA M I N H A opinião: aproveitando-se da atual situação de descredibilidade do governo federal perante a população, o Congresso vai utilizar-se do fato do governo ser contra o PL 4330/2004 pra ganhar apoio do povo.
Pra galera que já marcou protesto pro dia 12.04.2015 contra o governo federal, um recado: incluam na pauta de vocês o poder legislativo e exijam que o PL4330/2004 seja arquivado, destruído, incinerado e totalmente esquecido. 
Pelo andar da carruagem, logo mais a Câmara aprova o texto completo e envia pro Senado - que deve ser favorável. Então pldds, VETA, DILMA.

terça-feira, 7 de abril de 2015

IRRESPONSABILIDADE DA MÍDIA NA QUESTÃO DA REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL


A irresponsabilidade da grande mídia na divulgação de notícias chega a dar nojo.
Hoje vi no portal r7 uma matéria que me deixou constrangida. Constrangida porque foi colocada ali por alguém que não checou as informações e, aparentemente, não existe um superior que faça isso - ou que ordene que alguém o faça.
A matéria falava sobre a maioridade penal em diversos países do mundo. Eu vi a manchete e fui ler. Percebi que tinha algo errado quando li que dizia que na Alemanha e Itália a maioridade penal se dá a partir dos 14 anos. Eu já sabia que não e que, assim como no Brasil, nesses e em alguns outros países adolescentes a partir de determinada idade respondem por seus atos DE ACORDO COM LEGISLAÇÃO ESPECIAL PARA ADOLESCENTES. Ou seja, na Itália e Alemanha, a partir  dos 14 anos, adolescentes não vão para cadeias comuns e não são julgados como adultos, diferente do que constava na referida matéria. É uma responsabilização diferenciada, feita pelo que se poderia chamar de jurisdição especial, assim como ocorre no Brasil. Aqui, qualquer pessoa que tenha (a partir de) 12 anos será responsabilizada pelos seus atos de acordo com legislação específica, no nosso caso, o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Como podemos ver, no Brasil a responsabilização começa ainda mais jovem que Alemanha e Itália, com 12 anos. 
No site do Ministério Público do Estado do Paraná existe uma tabela comparativa de diversos países com a idade de responsabilização penal juvenil e de adultos. E uma tabela muito fácil de se encontrar, diga-se de passagem. Uma simples pesquisa no google e encontramos diversos resultados de pesquisas mostrando isso. 
A grande mídia quer enfiar na cabeça da população que diminuir a maioridade penal é a solução dos nossos problemas (não que precise, parcela esmagadora já acha isso) de segurança pública.

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Grande parte da imprensa sempre martelou nesse ponto, mas  agora o nosso Congresso - que é uma bela porcaria - decidiu ganhar apoio da população ao propor uma PEC (Projeto de Emenda à Constituição) cujo objetivo é alterar o artigo 228 diminuindo a maioridade penal para 16 anos.
Ue, e por que diabos os nossos parlamentares iriam fazer isso justamente agora num momento em que o Brasil passa por problemas realmente sérios? Ora, querem que esqueçamos que boa parte deles tá envolvido na nos esquemas de corrupção da Petrobrás - e em muitos outros.
Reduzir a maioridade penal só vai aumentar a quantidade de presos no Brasil (que tem uma das maiores populações carcerarias do mundo) e aumentará a violência, por mais incrível que possa parecer, afinal, quem sai ressocializado do nosso sistema (nada) ressocializador? Só vai aumentar o número de reincidência. Ou alguém acredita que adolescentes de 16 anos vão sair da cadeia melhores? Se os adultos saem "formados" no crime, imagine adolescentes.
O engraçado que os deputados que pretendem diminuir a maioridade penal são os mesmos que há poucos dias estavam estupefatos com a novela Babilônia e queriam aumentar  a idade mínima indicada para assistir a novela (segundo eles, ela não era indicada nem mesmo para pessoas de 16 anos), uma vez que a trama continha situações que poderiam influenciar adolescentes. Estranho, não acham? Adolescentes de 16 anos não podem assistir novela, mas podem ser presos? Novela influencia, mas cadeia ta de boa, né.

Existem milhares de motivos para que a maioridade penal permaneça na casa dos 18 anos, poderia listar aqui, mas eu não sou nada e nem ninguém pra falar sobre isso, então, coloco uma sugestão: Por que dizer não à redução da idade penal. É da UNICEF (Fundação das Nações Unidas para a Infância, na sigla em inglês). Tem dados e explicações embasadas dos motivos da prejudicialidade de se reduzir a idade penal mínima.





P.S: mandei um comunicado de erro para o portal R7 sobre a tal matéria. Aguardo resposta e correção.

segunda-feira, 9 de março de 2015

DIA INTERNACIONAL DA MULHER - DIA DE LUTA





Fiquei devendo um post do Dia Internacional da Mulher aqui no blog, consegui fazer algumas reflexões lá na rede social do mal depois de ver muita gente compartilhando aquelas imagens cheia de glitter e com rosas; depois de ver que (a maioria) dos publicitários errou a mão, de novo; depois de ver gente sendo hipócrita - e totalmente incoerente - que passou o dia todo desejando feliz dia da mulher pra depois xingar a presidenta de "puta", "vagabunda", "vadia", os velhos e conhecidos xingamentos atribuídos à sexualidade feminina, sem nem se darem conta de que discordar do governo não tem nada a ver com proferir esse tipo de insulto; depois de mais uma vez constatar que dia da mulher não é dia de comemoração, já que os misóginos e machistas ainda estão aí tentando nos silenciar, oprimir, matar, e que ainda somos chamadas de chatas quando reclamamos, compartilho minhas ideias:

Feliz dia da mulher pra todas nós que passamos o ano inteiro vendo publicidade machista; ouvindo comentários machistas nos culpabilizando por violência doméstica e estupro; lendo as matérias mais abomináveis de feminicídio que existem (e não é lá no Oriente Médio, não, é aqui mesmo); a nós que temos nossas vozes silenciadas toda vez que dizem que "mulher fala demais" e "mulher é barraqueira" e quando um homem faz o mesmo ele é apenas autêntico; enfim, a nós que lutamos para acabar com isso tudo, seja com ativismo de sofá, na rua, no trabalho rebatendo comentários machistas/misóginos, mas também para todas que ainda sofrem com o machismo mas ainda não se deram conta...é difícil perceber qualquer coisa sendo criadas imersas nessa cultura.
Dia da Mulher não é dia de rosa, nem de chocolate, nem de falar o quanto somos belas. Nós somos mais que isso.
E, por favor, não vamos esquecer que o sexo feminino é o sexo fundamental. A forma humana inicial é a feminina. O sexo masculino é uma espécie de defeito (e não o contrário, como os gregos acreditavam).